Dica Cultural: As fundamentais feiras literárias que precisamos na Bahia

Postada em 22 de junho de 2017 as 09:06
Compartilhe:


E Nelida Piñon nos permitiu falar das Galícias que amamos

Mulher que me fez vibrar o ritmo do universo
Em suas entranhas
Chora, Caetana, a canção dos tristes
Apesar das lutas incessantes
A mulher homem bacante
Passa a velejar a vela do destino
Explorando no seu desatino
O gozo das ninfetas lavadeiras em suas cantilenas matinais

Chora, Caetana … Ana, sacana
Canta, Caetana
O brilho das estrelas nos lençois
Ao sentir que nada enfim valeu
Chora, Caetana … Ana, sacana
Canta, Caetana
O brilho das estrelas nos lençois
Ao sentir que nada enfim valeu

Fagner: trecho de ‘A Doce Cancão de Caetana’

imagem
Apesar do ‘nosso’ governo G não gostar de feiras literárias (e nem de centros de convenções) este tipo de atividade continua rendendo belos ensinamentos e experiências coletivas.

Segundo notícia veiculada pela rede regional de TV EPTV, este mês…

Primeira mulher a se tornar presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), a escritora Nélida Piñon foi homenageada por cerca de 1.100 alunos de 20 escolas públicas durante um encontro na Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto (ao norte de  São Paulo).

Em forma de música, poesia e teatro, os estudantes fizeram releituras de obras da escritora, que se emocionou com a apresentação no palco do Theatro Pedro II, o terceiro maior teatro de ópera do país.

Fui buscar em minha memória o meu único encontro com a galeguíssima escritora. Claro, numa feira do livro, em um dos mais de 70 municípios gaúchos que mantêm esta tradição, anualmente, e me ‘caiu a ficha’ de que ela tinha nos olhos e na leve envergadura dos ombros aquela muito sadia preocupação´que se poderia expressar como ‘será que eu vou fazer a coisa certa nesta feira?’

Espero também fazer a coisa certa, nesta semana que os baianos encurtam o trabalho para saudar a maior das festas juninas, que – como sabemos -,  não só por autores como Luis da Câmara Cascudo e Hildegardes Viana, nos veio como uma saudação (inicialmente pagã) à chegada do verão, na Europa.

Como podem ver, pela nota do jornal diário Faro de Vigo, a celebração da chegada da estação em que tudo fica mais caro na Península Ibérica ainda é feita como deve ser: com apego e apoio a suas raízes culturais galegas:

ce92fa9ccd95d87e7a3d0e2634f4b542f1beadd6724c9685726c017fafd64418

Vigo merece mais dois destaques, sempre, por aqui.  O próprio Faro de Vigo é o único jornal que se registra que mantém diariamente a publicação de 3 BONS autores regionais de humor gráfico . O mais re/conhecido, mundialmente, por toda nossa turma é o veterano Gogue.  Ele é exímio tirista e chargista, mas como podem ver na caricatura acima, também da conta de outros riscados.

Também de Vigo veio o vigor pensante do melhor jornalista político que esta Bahia já teve, um homem cuja visão ‘G’ faz toda a falta, atualmente: as raízes do saudoso Jânio Lopo também vem de Vigo. Quem cresceu lendo suas sacadas, que mostravam desdobramentos dos fatos de ‘hoje’ dali a 6 meses, sabe que esta Bahia não há de criar outro Jânio tão cedo.

Parentesezinho

Co-incidência ou não, o livro que abre esta nota, ‘A Doce Canção de Caetana’, transcorre na véspera da final da Copa do Mundo de 1970, quando Caetana, atriz de circo, volta à sua pequena cidade … Era tudo o que eu precisava para dizer que João Saldanha estaria fazendo 100 anos por agora, e ganhou direito a uma crônica muito feliz de parte da Carta Maior.

Cultura e civilidade

Devo e posso dizer a vocês que pertinho de um edifício que se chama Caetana, um típico galego-gente-boa-dono-de-padaria foi quem me disse sim para que nós lancemos uma campanha que diz: [No nosso bairro], a gente dá bom dia!.

Quem sabe, você encontra em sua cidade, em seu bairro, um galego assim, e que vocês possam re-criar esta ou outra campanha, e nós começamos a retomar esse gesto com gosto cultural tipicamente baiano que se perdeu na Bahia da violência ‘G’?

====
Dicas

de-profundis

Enquanto não convenço alguém a expor a vida do gigante da mente galega de 100 anos atrás, que se chamava Castelao [sem til], fica uma dica da cultura 0800 para quem vai ficar longe das festas: a mais linda obra que já vi de um galego (também vista pelo nosso colega da imprensa do Sindimed, Ney Sá): o filme ‘De Profondis’, dirigido por Miguelanxo Prado, está disponível no site oficial do autor , com uma gigantesca realização quadro-a-quadro realizada com giz e pasteis, e acompanhamento musical da Orquestra da Galícia: ‘De Profundis’. Tenho a certeza que você vai descobrir que entende galego, mesmo sem nunca ter lido antes…

Claro, espero ter chamado a sua atenção para ouvir ‘A Doce Canção de Caetana’

2012-06-19_img_2012-06-19_17_27_37_prestige1

Como são as perguntas que movem o mundo, procure entender por que a Galícia tem um festival internacional de quadrinhos muito autorais (em A Coruña), e um museu de caricatura (em Fene) e o Nordeste do Brasil, não…

A participação coletiva dos galegos no enfrentamento de tragédias ecológicas, como a do navio Prestige, em 2002 (na foto), bem que poderia render uma outra profunda matéria. Por aqui, em pleno 2017, a Conder deve achar que é ‘G’ mandar passar cimento por cima do Rio Jaguaribe…

Texto e pesquisa de Marko Ajdaric.
https://www.facebook.com/marko.ajdaric.79

Material exclusivo do Sindicato dos Médicos da Bahia. Não se autorizam cópias, no todo ou em parte.



Uma resposta para “Dica Cultural: As fundamentais feiras literárias que precisamos na Bahia”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *



  • sindimed.com.br ©2016 Todos os direitos reservados.