Jequié: Problemas estruturais graves no Hospital Prado Valadares

Postada em 8 de setembro de 2020 as 16:13
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A checagem das condições de trabalho feitas pelo Sindimed-BA no Hospital Prado Valadares, em Jequié, no dia 4 de setembro, constatou diversos problemas. A começar da insegurança vivida pelos médicos, já que há um déficit de testes rápidos para Covid-19 e também muita demora nos resultados para a equipe testada. Além disso, não são fornecidos os macacões impermeáveis adequados pra proteção (Tyvek). Só capas cirúrgicas pra procedimentos simples, que sequer são impermeáveis.

Com contratos precarizados, como pessoa jurídica (PJ), através da empresa SM, os médicos sofrem ainda os constantes atrasos dos pagamentos. No momento em que o Sindimed fazia a vistoria, os médicos ainda estavam recebendo o pagamento referente ao mês de junho. O pessoal de enfermagem, entretanto tem contrato CLT.

O hospital é composto de uma ala nova e outra mais antiga, com três UTIs dedicadas à Covid. Embora já ocorra uma queda no fluxo de pacientes, inicialmente a demanda foi grande. Há relatos de algo em torno de 150 óbitos por Covid entre os moradores de Jequié. No hospital vários profissionais foram contaminados, mas, felizmente, sem registro de óbito. Lamentavelmente, entretanto, os que foram afastados por mais de 15 dias até hoje não receberam a indenização que é obrigação do governo pagar.

Situações críticas

Foi constatado pela presidente do Sindimed-BA, Dra. Ana Rita de Luna, que a sala de observação 2 é insalubre, “falta higienização e o fluxo é desorganizado porque não há triagem dos casos com suspeita de Covid. Pacientes em cadeira de rodas, em leito, maca de corredor, tudo misturado. “Tem paciente diabético com complicações vasculares na mesma área de paciente clínico, uma miscelânea que não deveria ocorrer”, relata a médica.

Outro ponto crítico é o setor de nefrologia, especialmente porque a demanda de diálise aumentou. E não há ponto específico de diálise fora das UTIs, comprometendo uma vaga de UTI para cada diálise. Há uma falta crônica de leitos pra nefrologia. Um único ponto de hemodiálise para cada UTI e apenas 3 máquinas para 5 UTIs.

Pacientes de outras enfermarias do hospital, pra fazer diálise, precisam de internação na UTI. Quando chegam dois pacientes ao mesmo tempo, um tem que ser preterido e recai responsabilidade muito grande sobre os médicos nessa escolha.

Dos três nefrologistas do hospital, um está afastado. Também não há técnicos e enfermeiros com treinamento especializado, nem enfermaria específica, o que é muito grave.

Sem ala pediátrica

Outro motivo de alarme é que, no que pese a abrangência regional, o hospital dispõe de uma pequena ala de pediatria. E em Jequié não há um único leito de UTI pediátrica. Apenas cerca de 13 leitos neonatais, na maternidade da Santa Casa, cuja cobertura vai de 0 a 28 dias. Mas acima de um mês, até 19 anos não há leito de UTI. Isso quer dizer que crianças e adolescentes, quando precisam de UTI, se misturam com pacientes adultos.

O Hospital Prado Valadares atende 26 municípios, abrangendo cerca de 600 mil pessoas, mas o fluxo de entrada chega a ser caótico, porque não tem regulação, só porta aberta. O problema causa maior espanto ainda porque depois da implantação das UTIs dedicadas à Covid, pacientes clínicos e cirúrgicos ficam misturados nas mesmas UTIs.

 

A presidente do Sindimed-BA, Dra. Ana Rita de Luna, tem ido frequentemente às unidades de saúde,
na capital e no interior da Bahia, checar pessoalmente as condições de trabalho dos médicos e de atendimento à população


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