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    Paulo Afonso: população sofre com falta de UTI

    Postada em 22 de janeiro de 2018 as 01:44
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    “Há 15 anos a população de Paulo Afonso aguarda a instalação de uma UTI na cidade, quantas vidas mais precisam ser perdidas para que as autoridades tomem uma providência?”. A declaração é do médico e delegado regional do Sindimed Aristóteles Paiva, morador do município há mais de 30 anos, que tem acompanhado o sofrimento dos pacientes e a angustia dos profissionais que, por falta de estrutura, não conseguem prestar o atendimento. 

    A instalação da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Paulo Afonso é daqueles casos que viraram uma verdadeira “novela mexicana”, conforme recente declaração do próprio  governador do estado, Rui Costa. Diversos foram os governos que sucessivamente se elegeram tendo como peça de campanha a instalação da UTI na cidade, mas só ficou na promessa. O hospital que deveria receber a unidade é o Nair Alves de Souza, administrado pela Companhia hidrelétrica do São Francisco (Chesf). 

    Entretanto, a informação é de que existe a possibilidade da Chesf, atual gestora do hospital, reformar a estrutura física do Nair Alves para adequar às normas da vigilância sanitária e posteriormente entregar a gestão à Universidade do Vale do Rio São Francisco (Univasf).  A universidade, por sua vez, tem como condição básica para assumir a unidade que a estrutura física da UTI esteja pronta. Já o governo do estado tem a incumbência de implantar os equipamentos médicos. E por fim, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), ficaria a cargo de realizar concurso para os profissionais da unidade.  Portanto, essa conjuntura está causando incerteza sobre os rumos da administração da unidade.

    O problema maior dessa “novela” é que o entrave entre  Chesf,  governo do estado,  Univasf, Ebserh e município tem feito vítimas. Em matéria veiculada em uma TV da região, foi feita denúncia sobre a morte de um paciente que precisou ser internado em estado grave e veio a óbito. O fato ocorreu há sete anos, mas de acordo com informações dos profissionais de saúde, outros pacientes já foram vitimizados nestas circunstâncias.

    Ainda de acordo com a matéria, desde 2014, existe a discussão para a instalação da UTI.  A Chesf, em outubro de 2017, apresentou um projeto para a construção de 30 leitos, mas de lá para cá, nada foi feito. Atualmente os pacientes que precisam desse perfil de atendimento precisam ser transferidos por uma UTI móvel, cedida pelo município, popularmente chamada de “ambulâncioterapia” e são atendidos através da Rede Interestadual de Atenção à Saúde do Vale do São Francisco, chamada “pactuação da Rede PEBA”, que engloba, por exemplo, os hospitais das cidades de Petrolina e Juazeiro.

    Ou seja, uma pessoa que esteja necessitando ser internada em uma UTI no município precisará enfrentar aproximadamente 6 horas de viagem para chegar em Juazeiro, que fica a 407 km de Paulo Afonso. Já existe denúncia feita ao Ministério Público sobre esse grave problema, mas ainda sem solução.

    Dr. Aristóteles afirma que há vários anos vem denunciando a flagrante falta de vontade política sobre o caso. O médico chamou atenção para o fato de que cidades muito menores em número de habitantes do que Paulo Afonso já possuem UTI. O profissional salientou ainda que o hospital Nair Alves de Souza acaba atendendo não só a população de Paulo Afonso, que é de aproximadamente 130 mil habitantes, mas também das cidades circunvizinhas, o que representa um contingente populacional de cerca de 500 mil pessoas.



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