Precariedades e inadequações na Maternidade Climério de Oliveira

Postada em 23 de dezembro de 2020 as 11:23
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Em visita à Maternidade Climério de Oliveira, na manhã deste dia 21 de dezembro, a presidente do Sindimed-BA, Dra. Ana Rita de Luna, pode conversar com os médicos e constatar as queixas sobre as deficiências da unidade, onde, atualmente todos os profissionais são contratados via Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares).
Entre as queixas ouvidas, a Dra. Ana Rita destaca que chama atenção a lacuna na escala da cirurgia pediátrica. “Como pode a escala de cirurgia pediátrica de uma maternidade ser feita com apenas três profissionais, em revezamento e sem sobreaviso?” questiona.

Em função da escassez de profissionais, a diretoria desmembrou a escala de 24 horas em turnos de 6 horas, o que acarreta um turno sem o profissional. À noite não tem cirurgião pediátrico. Tudo isso aponta para um déficit de cerca de 4 cirurgiões pediátricos e 50% da escala fica a descoberto. Apesar de a Ebserh permitir a extensão de carga horária e sobreaviso.
A escala normal da maternidade consta de cinco obstetras durante o dia e, à noite quatro a cinco, sendo dois no berçário e um na sala de parto, em termos de neonatologia. Mas não existe escala de organizada de diarista.

Esse problema de déficit no quantitativo atinge também a cirurgia geral, onde é adotado o sobreaviso. São três cirurgiões, mas tem dias na semana que a unidade fica sem a cobertura. Os médicos apontam, ainda, um deficit de cinco neonatologistas no plantão. A Climério só dispõe de um na sala de parto, mas precisaria de dois. Apenas a escala de anestesiologia é considerada adequada. São quatro anestesistas de dia e três à noite.

Déficit estrutural

Mesmo considerando a falta do número adequado de médicos para o pleno funcionamento da maternidade, a unidade conta com 10 plantonistas presenciais, fora sobreaviso, mas o conforto médico só dispõe de seis leitos para descanso, em beliches, o que acarreta maior estresse nos plantões.

A situação é a mesma no conforto dos residentes/internos onde, para uma previsão de 16 pessoas só há seis lugares. Se repete também no conforto multidisciplinar da UTI neonatal, que é ocupado por 20 profissionais – entre médicos e técnicos de enfermagem -, mas só oferece quatro beliches. Essa insuficiência ocorre também em relação aos armários para guardar pertences.

Além da inadequação dos confortos, foi cortado o fornecimento de alimentação na unidade. Deram ticket alimentação, mas não disponibilizam microonda nem geladeira para preparo e conservação dos alimentos que os médicos trazem. Esses equipamentos que hoje existem no local tiveram que ser comprados pelos próprios médicos.

Falta planejamento

Não bastasse a estrutura ser insuficiente, como já vimos, a localização é outro problema. O conforto dos médicos fica distante do pré-parto. “Os profissionais não ficam próximos aos leitos das pacientes, como deveria ocorrer, porque a estrutura física não permite isso”, relata a presidente do Sindimed-BA, Dra. Ana Rita.

A sala de prescrição e evolução também é inadequada, com um sofá de dois lugares, duas cadeiras e uma pequena mesa. Muito pequena para permitir o trabalho de cinco obstetras, dois residentes mais os internos que precisam dela. É quase outro parto, para que o pediatra e o neonatologista possam prescrever numa sala que dispõe de um único computador.

 



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