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    Médicos residentes denunciam caos do Complexo HUPES

    Postada em 21 de dezembro de 2017 as 10:47
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    Uma fase essencial da formação, que deveria ser de aprendizagem, transforma-se em pesadelo com a exigência de registro de ponto, ameaça de corte das bolsas, racionamento de alimentação, conforto médico precário, insegurança e uma lista de arbitrariedades

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    Foto divulgação: Itapagipe OnLine

    Mais de 200 residentes do Complexo Hupes são penalizados pela falta de estrutura da unidade. Entre os desmandos da administradora Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), destaca-se a recente exigência de fazer cadastro biométrico para registrar ponto eletrônico.

    A medida é mais um contrassenso já que como aprendizes, os médicos residentes não possuem vínculo trabalhista. Além disso, os residentes estão submetidos ao regimento da Coreme – Comissão de Residência Médica, que não prevê registro de ponto.

    Outra dúvida é sobre as horas extras que seriam registradas, tendo em vista que alguns residentes cumprem carga horária superior à prevista no regimento (60 horas semanais), mas não são remunerados por isso. Cabe ainda salientar que algumas atividades são realizadas fora do complexo hospitalar, muitas vezes ultrapassando 50% do previsto para as atividades anuais, o que também não vem sendo computado na carga horária cumprida.

    Estrutura precária

    Em muitos aspectos o Hupes nem de longe lembra um ambiente educacional. A falta de preceptores em alguns setores é alarmante. Esses profissionais, que atuam como supervisores e orientadores, são essenciais na formação dos médicos. E a lista só aumenta, os laboratórios e centro cirúrgico sofrem com falta de equipamentos; o setor de bioimagem não opera com aparelho de ressonância nuclear, o equipamento está há mais de três anos abandonado no subsolo do local. Já a UTI pediátrica está toda equipada e montada, mas, inexplicavelmente, não é inaugurada.

    Essa precariedade atinge também a população. Existe uma grave falta de suporte para atendimento de emergência. Ironicamente, caso alguém passe mal dentro do complexo hospitalar, terá de ser removido pelo Samu ou orientado a procurar unidade de urgência (UPA). A internação também é uma dificuldade. A falta de medicamentos básicos, como dipirona, é recorrente. 

    Situações vexatórias

    Os residentes ainda passam por situações inimagináveis dentro de uma unidade de saúde do tamanho do Complexo HUPES. É o caso do racionamento de comida que, embora o Regimento da COREME reze que deve ser garantida aos residentes as principais refeições, eles só têm acesso ao almoço. As demais refeições são negadas todas as vezes que tentam se alimentar. Ainda de acordo com os reclamantes, o refeitório é similar a um “puxadinho”, sem estrutura e espaço para atender à demanda. Além disso, embora seja terceirizada a um custo alto, a comida também não é de boa qualidade.

    O “conforto” médico é um capítulo a parte. Tendo apenas 03 camas para mais 30 especialidades de médicos em formação, não tem banheiro, sem ar condicionado e o mais grave: a fechadura está quebrada, colocando em risco os usuários.

    Até estacionar no local para esses profissionais tem sido um sufoco, porque qualquer pessoa pode ter acesso ao estacionamento. A administração do hospital não tem nenhum controle dos frequentadores. Já existem registros de assalto no local, que também não tem iluminação adequada.

    Sindimed exige providências

    O presidente do Sindimed, Francisco Magalhães, afirmou que ao invés de ficar cobrando registro de ponto dos residentes, a administração do hospital precisa se preocupar com a estrutura do local que tem a responsabilidade de receber profissionais em treinamento de forma adequada. “É obrigação do hospital garantir que esses residentes tenham condições mínimas e dignas de trabalho para que saiam qualificados, porque a cobrança da sociedade será feita”. 

    Dr. Francisco salientou ainda que, uma vez que a administração quer colocar os residentes para registrar ponto, o sindicato poderá pedir o reconhecimento de vínculo trabalhista, já que os residentes não estão sendo tratados como profissionais em formação e sim como uma dinâmica de trabalho clássica. Em consequência das denúncias, o Sindimed  solicitará uma audiência com o diretor do hospital Dr. Antônio Carlos Moreira Lemos, com o Dr. Daniel Athanásio, coordenador do COREME e também com um representante da EBSERH, administradora do complexo. 

    *As fontes dessa matéria serão mantidas em sigilo.

     



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