Sesab reduz número de pediatras na UPA do Curuzu e coloca crianças em risco de desassistência

Postada em 9 de dezembro de 2020 as 08:45
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A meta de todo serviço de saúde deve ser a excelência no atendimento para garantir resolutividade e proteção à vida em primeiro lugar. Essa meta, entretanto, parece não se aplicar na Bahia, onde a Secretaria de Saúde (Sesab) prefere desmontar equipes de qualidade sem se importar com os riscos para a população.

Vejamos, por exemplo, o caso da UPA Mãe Hilda, do Curuzu, onde está sendo desmontado um grupo muito bem qualificado de sete pediatras, todos com formação em residência médica – coisa difícil de encontrar, já que não há muitos profissionais da especialidade disponíveis. Parte deles se vê agora obrigada a deixar os postos de trabalho.

Alegando redução do atendimento pediátrico na UPA, a Sesab resolveu tirar um pediatra do dia e outro da noite ficando apenas um único pediatra sozinho no plantão. Baseando-se em números próprios da pandemia, a Secretaria argumenta que os 900 atendimentos pediátricos por mês, na unidade, foram reduzidos para aproximadamente um terço.

Diante dessa situação, que pode acarretar desassistência às crianças, o Sindimed-BA foi ao Ministério Público do Estado questionar a medida, em audiência, nesta terça-feira (08/12). Para a presidente do Sindicato, Dra. Ana Rita de Luna, os números não podem ser tomados friamente, inclusive por conta da sazonalidade, que não está sendo levada em conta. “Além da baixa na qualidade da assistência pediátrica, o risco é muito grande, porque quando ocorrem emergências simultâneas, um único pediatra, como quer o governo, poderá não dar conta de tudo”, alerta a médica.

O Sindimed-BA também apresentou números ao Ministério Público. “Na audiência com o Dr. Carlos Martheo, nós colocamos as variáveis históricas, mostrando que nos últimos anos (2017, 2018 e 2019), a média do atendimento da Pediatria chegou a até mil crianças por mês a depender da sazonalidade”, citou a Dra. Ana Rita.

O representante da Sesab, na audiência, chegou a insinuar que o médico clínico – são dois na UPA do Curuzu -, pudesse dar suporte na pediatria. Ao que o Sindimed rebateu veementemente, assegurando que isso colocaria em risco a vida das crianças, principalmente numa situação de emergência, porque o clínico não tem formação para as especificidades técnicas que requer um recém nascido ou bebê de baixo peso, não estando familiarizado, muitas vezes, nem mesmo com as dosagens específicas das medicações.

Foi estabelecido, através da intermediação promovida pelo MPE, que o Sindicato vai acompanhar de perto a situação na UPA do Curuzu, ficando agendada nova rodada de negociação para o dia 2 de maio de 2021. Nesse meio tempo, entretanto, o Sindimed poderá acionar o Ministério Público, caso o número de atendimentos na Pediatria venha a aumentar.

Destaca-se que o Sindimed fez questão de registrar que não concorda com diminuição do número de pediatras na UPA do Curuzu, tendo em vista o perigo de desassistência para as crianças que dependem do SUS e consequentemente, as implicações éticas, civis e penais que podem ser imputadas ao médico que não conseguir, sozinho, atender a demanda, principalmente em uma unidade de pronto-atendimento, onde são atendidas situações de urgência e emergência.



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