Sindimed-BA faz checagem de condições de trabalho em Paulo Afonso

Postada em 24 de julho de 2020 as 17:31
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Em viagem à cidade de Paulo Afonso, no dia 23 julho, a presidente do Sindimed-BA, Dra. Ana Rita de Luna, fez visitas de inspeção à base do Samu, ao Hospital Municipal, ao Hospital Nair Alves de Souza, à UPA dedicada a Covid e à Policlínica de Paulo Afonso. Na oportunidade, conversou com médicos e gestores que atuam em todas essas unidades, identificando as ações de proteção contra a pandemia, bem com as relações de trabalho.

Essas visitas foram acompanhadas por Luís Carlos D’Angio (diretor regional do Sindimed) e Frederico Reis (delegado do Cremeb), num momento em que, segundo as estatísticas do município, tem aumentado o registro de casos de Covid na cidade, que contabiliza 14 óbitos por Covid-19.

Problemas no Samu

Na base do Samu, houve denúncia de que os macacões descartáveis estão sendo reutilizados porque não tem quantidade suficiente para a demanda do trabalho. Embora a lavanderia do Hospital Municipal informe que só faz a lavagem dos macacões de tecido (que são reutilizáveis), tem documentos no Samu comprovando o contrário. Além disso, foi relatado que os testes rápidos para Covid estão com fluxo de reposição irregular.

Outro problema identificado foi que o serviço é penalizado quando ambulâncias simples atendem chamados a pacientes que testam positivo, mas não podem fazer o transporte dos mesmos, tendo que aguardar no local, por duas ou três horas a ambulância especializada. Isso, além de reduzir a capacidade de atendimento, gera certa comoção na população dos locais.

Quatro médicos do serviço já foram afastados por Covid, todos já em processo de retorno, mas o risco de contaminação é grande, dada a frequência com que o Samu transporta pacientes com Covid.

Os profissionais da unidade se queixam que prefeitura não está pagando adicional noturno aos médicos plantonistas. E também que, embora estejam no Reda, não recebem o adicional de insalubridade. O Sindicato vai buscar interlocução com a prefeitura para discutir o assunto.

Outra dúvida levantada pelos profissionais é se o seguro por afastamento vale somente para quem se afasta por 15 dias ou para todos que estão no grupo de risco e já estão afastados há alguns meses. O corpo jurídico do Sindicato está analisando o que a legislação determina em relação a isso.

Hospital Municipal

O setor dedicado a Covid no hospital foi desativado e transferido para UPA especializada, que tem ambulância dedicada. O hospital tem estrutura de UTI construída recentemente, com 10 leitos (nove normais e um de isolamento), mas ainda não está em funcionamento porque aguarda contratação dos médicos intensivistas e de um responsável pela Unidade.

Dos 25 médicos que atuam na unidade, já houve cinco afastamentos por Covid. Destes, três retornaram e dois permanecem afastados. Como medida protetiva ao grupo de risco, três médicas estão afastadas. Duas por comorbidade e uma gestante. Todas recebendo normalmente os vencimentos.

Assim como ocorre no Samu, no hospital também é irregular o fornecimento de kits de teste rápido, os profissionais apontam inconstância do envio por parte da Secretaria Municipal de Saúde. Isso é ainda mais preocupante porque a lavanderia do hospital recebe roupa proveniente da UPA dedicada e do Samu. Da UPA Covid só as roupas de cama, as de utilização pessoal dos médicos são lavadas lá mesmo.

No hospital predominam contratos via Reda e alguns CLT remanescentes. Foi apurado ainda que foi instalado recentemente na unidade um dos três aparelhos de tomografia da cidade, mas o equipamento ainda não está em funcionamento.

Hospital Nair Alves de Souza

Conhecido como antigo hospital da Chesf, a unidade está sendo paulatinamente transferida para a prefeitura (25% a cada trimestre) no espaço de um ano, obedecendo a um Termo de Ajuste de Conduta (TAC). O hospital é referência para emergências em toda microrregião. É unidade obstétrica e neonatologia de referência.

De caráter geral, localizado na área mais central da cidade, o hospital dispõe de emergência para adultos e crianças, maternidade, ortopedia, anestesiologia, cirurgia geral, pediatria e neonatologia.

Segundo o diretor médico, Fábio Romão, durante o compartilhamento de gestão a parte médica é assumida pelo município, na pessoa da Dra. Juli Caroline Nóbrega. A mudança tem impacto nos contratos, que passam a ser responsabilidade da prefeitura. A Chesf terceirizava a contratação dos médicos através de empresa gestora, que adotava o regime CLT com todos os direitos. Agora, relatam os médicos, são na modalidade Reda, mantendo direito a férias e 13º, mas sem FGTS.

Nesse período da pandemia, o gestor da Chesf relata que teve dificuldade de aquisição de EPI, mas já está praticamente regularizada. As máscaras N-95, que eram só para a emergência e áreas críticas expostas à Covid já estão sendo disponibilizadas para os demais profissionais e as capas de tecido já foram praticamente substituídas pelas descartáveis.

Os testes rápidos para Covid do pessoal do hospital foram feitos inicialmente pela prefeitura e, agora, a Chesf está repetindo a testagem. Pacientes com suspeita são encaminhados para a UPA Covid, que fica anexo ao hospital.

A unidade não tem isolamento na emergência para suspeitos de Covid. E já dois médicos positivaram para Covid. Outros três obstetras se afastaram por Covid, mas já retornaram. E há quatro afastados na pediatria por estarem no grupo de risco.

UPA dedicada a Covid

A inspeção realizada pelo Sindicato identificou que os procedimentos de segurança estão sendo observados na unidade, com utilização do macacão impermeável, avental descartável e tubo de desinfecção (Senai-Cimatec). Três luvas são utilizadas por cada profissional, sendo a mais externa substituída a cada procedimento. Dentro da unidade, onde é climatizado também há utilização de capa de couro impermeável. Apenas um médico foi afastado por Covid.

Dois plantonistas, sendo um na triagem e respirador e outro para UTI e sala amarela, fazem jornadas de 12 horas, com a retirada e recolocação dos EPIs a cada 6 horas. A unidade dispõe de quatro leitos UTI na sala vermelha e outros 10 na sala amarela, que estão plenamente ocupados, refletindo o aumento nas internações. A ala de síndrome gripal tem três leitos, com apenas um disponível no momento da visita.

Os contratos são via Reda, com 60 dias para pagamento. Cada mês trabalhado só é pago ao final do subsequente.

Policlínica

Um consórcio de nove prefeituras mantém a unidade, que ainda recebe do Estado a infraestrutura e 40% do custeio. A contratação dos médicos é pela CLT e o ingresso por concurso público.

A principal demanda (46%) é oriunda de Paulo Afonso. Duas triagens para quem vem de outros municípios, uma no ônibus e outra na chegada à unidade. Atendimento por agendamento, nos moldes do SAC.

A estrutura está adaptada para a pandemia com marcação de distanciamento na sala de espera e no acolhimento. A unidade faz exames de ressonância, tomografia, endoscopia e, colonoscopia, esses dois últimos suspensos, no momento, por falta de anestesiologista. A sala de pé diabético ainda não tem cirurgião vascular.

Os pacientes também podem fazer teste ergométrico, eletrocardiograma, ecocardiograma, mamografia, eletroencefalograma, ultrassonografia e Raio X. A empresa Telediagnóstico dá suporte aos laudos da área de bioimagem.

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